#1 - É o fim da era Web3?

Por mais de uma década, a Web3 moldou a forma como o setor de blockchain se descrevia. Ela trouxe uma visão ambiciosa de uma internet mais aberta, em que os usuários poderiam ter ativos digitais, controlar os próprios dados e interagir com aplicações sem depender de plataformas centralizadas. Independentemente de essa visão virar realidade na sua forma original, ela mudou a forma como o mercado pensa a propriedade digital e deu à blockchain um propósito que vai além das criptomoedas.
O mercado mudou
Hoje, porém, a conversa parece diferente.
As empresas que mais atraem atenção já não estão tentando reinventar a internet por meio de protocolos blockchain fundamentais como o Ethereum Institutional, nem criando novas primitivas financeiras com projetos como Aave Labs, Pendle e EigenLayer.
Em vez disso, elas estão resolvendo problemas financeiros que já existem: pagamentos, liquidação, gestão de tesouraria, ativos tokenizados e mercado de capitais se tornaram o centro de gravidade. A blockchain continua sendo a tecnologia de base, mas já não é a história que as empresas estão contando.
Seguindo o capital
Uma forma de entender essa mudança é olhar para onde as instituições estão investindo. As stablecoins se tornaram uma alternativa séria para pagamentos internacionais, lideradas por emissores como Tether.io e Circle, enquanto novos projetos de infraestrutura, como a Plasma, surgem para dar suporte a sistemas financeiros nativos em stablecoins. Gestoras de ativos estão lançando fundos tokenizados por meio de plataformas como Securitize e Ondo Finance, trazendo produtos financeiros tradicionais para onchain. Os bancos estão experimentando depósitos tokenizados, e governos e instituições financeiras estão explorando liquidações mais rápidas e uma infraestrutura financeira mais transparente. Juntas, essas iniciativas apontam na mesma direção: modernizar a infraestrutura financeira.
Por que “Web3” e “cripto” estão perdendo precisão
Os termos ainda descrevem um movimento tecnológico importante, mas já não capturam onde está sendo criada a maior parte do valor econômico. O termo Web3, em particular, ficou muito associado à promessa de descentralização. Nos últimos anos, porém, essa narrativa foi posta à prova por disputas de governança, hacks de protocolos, reestruturações de DAOs e redistribuições de tokens, que expuseram os limites práticos da descentralização em escala.
Ao mesmo tempo, as instituições financeiras e as empresas reguladas têm pouco incentivo para adotar modelos totalmente descentralizados, em que é difícil definir a prestação de contas e a responsabilidade legal. Em vez disso, elas estão adotando a blockchain como infraestrutura, mantendo a governança, o compliance e a propriedade dentro de marcos regulatórios conhecidos.
À medida que os setores amadurecem, eles tendem a se afastar das narrativas amplas e a adotar uma linguagem que reflete casos de uso reais. A inteligência artificial é discutida cada vez mais em termos de produtividade, e não de machine learning; a computação em nuvem acabou virando infraestrutura corporativa, em vez de uma categoria própria; e a blockchain parece seguir um caminho parecido.
No fim, a prática venceu a teoria. A tecnologia provou o seu valor, mas não necessariamente do jeito que os seus primeiros defensores imaginavam: em vez de adotar a descentralização como ideologia, as empresas estão adotando a blockchain porque ela resolve problemas financeiros reais.
A próxima era: Finanças Onchain
Acreditamos que a próxima fase do setor é mais bem descrita como Finanças Onchain.
Isso muda a forma como as empresas se posicionam: Web3 descreve uma visão tecnológica, Finanças Onchain descreve uma transformação econômica.
Isso reflete a adoção crescente da blockchain para melhorar a forma como o dinheiro circula, como os ativos são emitidos, como o capital é gerido e como a propriedade é registrada. O foco sai da tecnologia em si e vai para os sistemas financeiros que estão sendo reconstruídos sobre ela.
O que isso significa para o setor
Essa mudança já é visível em todo o mercado. As empresas que lideram a próxima onda estão construindo infraestrutura de pagamentos, plataformas de tokenização, soluções de custódia, redes de liquidação e produtos financeiros para instituições. Os clientes delas estão menos interessados na blockchain como conceito do que nas melhorias operacionais que ela entrega.
Por que isso importa para a MOIC
Para nós, adotar o termo Finanças Onchain não é trocar uma buzzword por outra, e sim usar uma linguagem que reflete melhor onde o mercado está hoje e para onde acreditamos que ele está indo.
Na verdade, essa não é uma perspectiva nova para nós: ao longo do último ano, a nossa pesquisa explorou de forma consistente temas como neobancos, infraestrutura financeira onchain e a convergência entre as finanças tradicionais e a blockchain, bem antes de eles se tornarem a narrativa dominante do setor. O que antes parecia uma tese emergente agora está virando realidade de mercado.
Hoje, essas ideias estão saindo da pesquisa e virando realidade. As finanças onchain estão se tornando a base de uma nova geração de serviços financeiros, movida por infraestrutura blockchain e desenhada para mercados de capitais mais rápidos, mais transparentes e mais eficientes!


