#12 - Como refizemos o moicdigital.com em 21 dias (e a conferência que antecipou nosso prazo)

Reconstruímos o moicdigital.com em 21 dias, de 11 de setembro ao lançamento na noite de 2 de outubro de 2026, com cinco pessoas e um agente de programação. O site saiu do Framer para HTML puro servido pela Cloudflare, e o prazo foi antecipado porque o time da MOIC Digital precisava estar com o site novo no ar antes da TOKEN2049 Singapore, nos dias 7 e 8 de outubro.
Na tarde de sexta-feira, 11 de setembro, Rogério Berfran, nosso CEO, veio até mim com uma pergunta:
“Acho que o nosso site está desatualizado e não reflete mais tudo o que precisamos comunicar sobre a MOIC, incluindo os nossos serviços e o posicionamento atual. Evoluímos como empresa, mas o nosso site não acompanhou.”
Na época, o moicdigital.com rodava no Framer. Tinha boa aparência e um histórico de SEO e de visibilidade orgânica que valia a pena proteger, mas já não atendia às nossas necessidades.
Atualizar o site tomava tempo demais do time, o que dificultava manter o conteúdo em dia e adaptar as páginas conforme o negócio evoluía. A infraestrutura também limitava a nossa flexibilidade, a escalabilidade e a capacidade de criar novas páginas e experiências sem complexidade desnecessária, além de dificultar a evolução da nossa estratégia de SEO e o fortalecimento da nossa visibilidade na busca orgânica. Como sempre, mudar tudo isso foi mais difícil do que deveria, mas eu disse sim!
O cronograma original previa mais algumas semanas, mas, com a TOKEN2049 Singapore se aproximando, aceleramos o projeto. Vinte e um dias depois, na noite de 2 de outubro, o site novo entrou no ar, apenas cinco dias antes do evento. Foi no limite.
Foi assim que essas três semanas passaram, incluindo as partes que deram errado…
Cinco pessoas e um agente de programação
Éramos cinco. Eu fui o operador principal, a pessoa que transformava cada decisão em uma página funcionando. Tuti Nicola, nossa Social & Growth Manager, planejou as páginas, escreveu e revisou os textos e aprovou o que ia ao ar. Arthur de Lara Machado, do nosso time de inteligência, revisou tanto o código quanto a experiência, clicando em cada versão e apontando o que confundiria um visitante ou quebraria depois. Ricardo Dourado, o Rica para todos nós, nosso Design Lead, e João Vitor Moron, nosso Graphic & Motion Designer, forneceram tudo o que era visual: arquivos da marca, briefings de página, layouts de referência, capas e um olhar afiado em cada rodada.
Antes de uma única linha de código, sentei com o Rica e o Moron para combinar a abordagem. A ata da reunião dá o motivo com todas as letras: alinhar antes economizaria créditos de IA. Cada direção que explorávamos custava créditos, e explorar uma que ninguém queria teria sido puro desperdício.
Uma home longa demais
Uma das primeiras reuniões do projeto foi sobre a home, e a primeira conclusão foi que o wireframe estava longo demais. A maior parte da discussão foi sobre o que um tomador de decisão deveria ver nas primeiras rolagens. No #5, a Tuti escreveu que compradores em mercados complexos raramente chegam a uma primeira conversa de vendas sem pesquisar a empresa, e boa parte dessa pesquisa termina no site dela. Por isso, os números sobre a própria MOIC, como clientes e países, ficariam numa faixa simples abaixo do título, e os resultados dos clientes ficariam dentro de cada case, ao lado do trabalho que os produziu. O briefing que saiu dessa reunião foi direto sobre como esses números deveriam se comportar:
Nada de contador animado. São números de credibilidade, não números de dashboard.
O prazo foi definido na mesma reunião: uma primeira versão da home até quinta-feira, 17 de setembro, apresentada no dia seguinte. Depois disso, uma call de revisão toda terça à tarde, uma página por vez. Esse plano durou cerca de duas semanas.
Primeira semana: decidir o que o site nunca faria
Antes da home, escrevi um documento de arquitetura, e o Arthur o revisou. O objetivo dele levava a pergunta do Rogério ao pé da letra. A Tuti deveria conseguir publicar e mudar conteúdo sozinha, pelo navegador, enquanto tudo o que pudesse quebrar o site continuaria passando por revisão. O princípio escrito logo abaixo resolveu a maioria das discussões que vieram depois:
Autonomia onde o erro sai barato, revisão onde o erro sai caro.
A maior parte do documento era sobre dizer não. O site não teria sistema de gestão de conteúdo, nem banco de dados, nem área logada, só HTML puro gerado a partir de arquivos de texto guardados junto do código. Também não teria scripts de terceiros. Pela lei de privacidade europeia, quase todo script externo traz junto um banner de cookies, porque guardar ou ler informações no dispositivo de um visitante exige o consentimento dele (Diretiva ePrivacy, artigo 5(3)), e esse banner é a primeira coisa que um visitante novo vê. Queríamos esse primeiro segundo gasto com o nosso título. Por isso, as fontes ficam hospedadas por nós, o botão “Agende uma call” leva à página do próprio Calendly em vez de um calendário embutido, e o moicdigital.com entrou no ar em 2 de outubro sem banner de cookies. Onze dias depois, adicionamos estatísticas de visitas, e o banner veio junto: “Recusar” é tão fácil quanto “Aceitar”, e nada carrega antes da resposta.
Depois escrevi o briefing da home do jeito que você faria para um prestador sênior que nunca teve contato com a empresa: quem é a MOIC, quem é o público, cada seção com o texto real, os limites técnicos, as perguntas em aberto e uma definição de pronto. Duas instruções importaram mais que as outras. Uma dizia ao agente para perguntar antes de inventar qualquer coisa, porque “conteúdo inventado numa página institucional é pior do que um placeholder honesto”. A outra dizia que nenhum texto visível poderia ficar dentro do código e que cada palavra tinha de vir de um arquivo de conteúdo. Parece arrumação da casa, e é o motivo de a Tuti conseguir mudar hoje qualquer título do site sem me ligar.
O briefing também listava o que o design tinha de evitar: gradientes roxos, emoji, uma faixa colorida na lateral de um card, sombras genéricas, ícones que enfeitam sem significar nada. Quem já viu landing pages geradas o bastante sabe essa lista de cor.
A primeira home saiu em PDF na quinta-feira, 17 de setembro, dentro do prazo.
Segunda semana: uma rodada por vez
Dali em diante, o trabalho correu em rodadas. O Rica e o Moron marcavam um export ou passavam por ele numa call, a Tuti revisava os textos e sinalizava o que não soava como a MOIC, o Arthur cutucava o código e o fluxo, e eu transformava cada comentário numa instrução precisa, mandava construir a mudança e a conferia em tamanhos de desktop e de celular antes de enviar a versão seguinte. Em 24 de setembro, a home passou por uma revisão de texto e por três rodadas de design num único dia. Em 28 de setembro, os designers mandaram as notas sobre a página inteira, e no dia seguinte já tínhamos briefings para todo o resto: Serviços, Cases, Blog, Relatórios e Carreiras.
Esse ritmo mudou o jeito como discutíamos. Quando uma mudança custa minutos, construir e olhar é mais rápido do que debater. Mais adiante no projeto, transformamos o fundo da seção de perguntas frequentes num padrão animado de ícones, tirado direto de uma das referências de design. Vendo de novo na manhã seguinte, ele tirava a atenção das perguntas, então agora os ícones só aparecem quando um cursor ou um dedo passa por cima deles. As duas versões foram páginas reais, e a decisão foi tomada olhando para elas.
A conferência que antecipou o prazo
Então, nos últimos dias de setembro, a proximidade da TOKEN2049 nos levou a acelerar o projeto.
O time da MOIC estaria em Singapura nos dias 7 e 8 de outubro, numa das maiores conferências do nosso mercado (os organizadores esperavam 25.000 participantes de mais de 7.000 empresas em 160 países, segundo o anúncio deles), encontrando exatamente o tipo de pessoa para quem o site novo estava sendo feito. Mandar essas pessoas para o site antigo depois de tudo o que tínhamos construído não fazia sentido. O ritmo das terças tinha acabado. O site novo tinha de estar no ar antes de o time viajar.
Dá para ler o prazo no histórico do projeto. Fizemos 10 mudanças no site em 29 de setembro, 21 em 30 de setembro, 34 em 1º de outubro e 59 em 2 de outubro.
O dia 29 de setembro começou com a hospedagem quebrando. Tínhamos planejado usar a Vercel e passamos para a Cloudflare, onde um Worker serve os arquivos do site a partir do cache da Cloudflare e as requisições a arquivos estáticos são gratuitas (fonte). O primeiro build falhou com um erro que apontava para longe da causa. Sem um arquivo de configuração, a ferramenta de deploy tinha decidido sozinha transformar o nosso site estático num site renderizado no servidor, e a conversão quebrou no meio do processamento das imagens. Ler o log do build linha por linha revelou o problema, e um arquivo de configuração curto o resolveu cerca de vinte minutos depois. O README agora traz uma nota dizendo a todos para nunca apagar esse arquivo.
Os cases exigiram mais cuidado. O site mostra 17, e muitos existiam só como resumos curtos. Nós os completamos a partir de fontes públicas (o nosso site antigo, notas internas, posts no X, DefiLlama, os blogs dos próprios clientes) com regras rígidas: nada calculado, nada que contradissesse uma fonte, e citações palavra por palavra ou nada. Quando duas fontes discordavam, o conflito ia para uma lista de pendências para o time decidir. Uma ferramenta que escreve com fluência vai preencher uma lacuna com algo plausível se você deixar, e um case é o pior lugar possível para isso.
O texto passou por uma última revisão, em busca dos vícios que fazem um texto soar escrito por máquina. Quarenta e cinco trechos mudaram. O resumo do nosso case da Centrifuge dizia:
Da complexidade técnica ao alcance institucional, a MOIC construiu e operou um motor de redes sociais que transformou a narrativa de mercado da Centrifuge em distribuição consistente, posicionamento mais forte e crescimento mensurável.
Agora diz:
A MOIC construiu e operou um motor de redes sociais que transformou a narrativa técnica da Centrifuge em distribuição consistente para públicos institucionais.
Promete menos, e é a versão em que um leitor institucional acreditaria, o mesmo patamar de precisão que a Dayane Petik descreveu no #7.
O blog tinha a sua própria armadilha. Os 32 posts tinham endereços que o Google já conhecia, então cada post manteve a sua URL e cada endereço que mudou ganhou um redirecionamento permanente. Ainda assim, uma auditoria das 76 páginas encontrou um problema que tinha escapado: o /sitemap.xml, o arquivo que os buscadores usam para encontrar as páginas de um site, teria devolvido um erro depois da troca. Uma linha resolveu. Esse tipo de problema só aparece quando alguém confere cada página, que é exatamente o trabalho tedioso que vale a pena entregar a uma máquina.
A TOKEN2049 também ganhou as suas peças: uma página do evento com um botão “Agende uma reunião” no topo e um popup anunciando que o time estava em Singapura, programado para sair do ar sozinho em 8 de outubro, para ninguém precisar lembrar de fazer isso do outro lado do mundo.
Em 1º de outubro, as notas da Tuti sobre a home e a página de Serviços entraram durante a tarde, e depois das sete da noite ainda estávamos percorrendo o site no celular: mais respiro abaixo do cabeçalho, serviços enxugados até os títulos, locais do mapa escolhidos com botões porque os pontos eram pequenos demais para tocar.
2 de outubro
O dia do lançamento teve 59 mudanças, perto da metade de tudo o que o projeto tinha até aquela noite. A maioria era pequena: áreas de toque maiores para links pequenos, traços removidos dos títulos das páginas, a página de privacidade publicada, Vendas e Pipeline levado para o topo da lista de serviços.
O formulário de contato mudou de destino duas vezes. Começou o dia mandando leads para um webhook genérico, passou para uma planilha do Google às 13h27 e, às 14h45, foi direto para o Kommo, o nosso CRM. Como o formulário só conversa com o endereço do próprio site, nada disso mudou o que o visitante vê. Cada lead agora cai no pipeline de vendas com a origem, as tags e uma nota com tudo o que a pessoa escreveu, e o visitante segue para o Calendly para agendar a call.
Às 15h, o plano era lançar sem o blog. Carreiras e Relatórios já tinham ficado para outra rodada, e o blog parecia ser o próximo a sair. Às 16h42, ele estava de volta. O site no ar só traz as páginas listadas num arquivo curto, e tirar uma página dessa lista também remove todos os links que apontam para ela, então cortar escopo tão tarde no dia era seguro, e mudar de ideia também.
Às 18h31, entrou a versão final do runbook da troca de domínio, e o primeiro item era o e-mail. Os mesmos registros de DNS que levam um visitante a uma home também dizem à internet onde entregar o e-mail de uma empresa, e uma mudança descuidada teria deixado todo mundo na MOIC sem caixa de entrada até alguém perceber. Cada registro precisava ser copiado para a Cloudflare e conferido com o provedor antigo antes de qualquer outra coisa mudar.
Às 19h12, o lançamento foi aprovado. O domínio mudou, percorremos as páginas no ar uma a uma, e o Framer foi desligado de vez, com um rollback pronto caso algo desse errado.
Às 20h37, as notas do projeto foram atualizadas: o site novo estava no ar em www.moicdigital.com.
Cinco dias depois, o time estava na TOKEN2049.
O que manteríamos
O agente escreveu a maior parte do código, auditou cada página e rascunhou a maior parte da documentação. Ele não conseguia decidir quais números eram verdadeiros, sem quais páginas lançar, se um fundo estava competindo com o conteúdo ou qual serviço deveria vir primeiro. Essas decisões eram da Tuti, do Arthur, do Rica, do Moron e minhas, e tomaram muito mais das minhas três semanas do que o código.
Dois hábitos mantiveram o ritmo seguro. As mudanças continuaram pequenas, para que cada uma pudesse ser conferida no navegador em um ou dois minutos. E as regras ficaram em arquivos, e não na cabeça das pessoas: instruções que o agente lê no início de cada sessão, uma checagem que bloqueia a publicação quando algo está quebrado, um runbook para a troca de domínio.
A pergunta do Rogério é respondida pela forma como o site funciona hoje. Quando a Tuti quer um post novo ou um título diferente, o pedido entra, em português, pelo navegador, e o texto aparece em inglês num site de staging escondido dos buscadores. Ele vai ao ar quando alguém aprova e a checagem automática passa. Uma semana depois do lançamento, a TOKEN2049 foi para a seção “Onde já estivemos”, e o popup passou a apontar para a Money20/20 USA, em Las Vegas.
No #2, o Rogério perguntou o que fica caro quando a IA torna a execução barata. Reconstruir o nosso próprio site nos deu uma pequena resposta: julgamento sobre o que é verdade, o que cortar e o que um comprador deve ver primeiro.
Se você está construindo em finanças onchain e quer ver como trazemos a mesma combinação de velocidade e julgamento para marketing e vendas, vamos conversar.
Perguntas frequentes
Quanto tempo levou para reconstruir o moicdigital.com?
Vinte e um dias, da pergunta do Rogério em 11 de setembro ao lançamento na noite de 2 de outubro de 2026.
Por que o prazo mudou?
O time da MOIC estaria na TOKEN2049 Singapore nos dias 7 e 8 de outubro, e o site novo tinha de estar no ar antes de o time viajar.
O que o agente de programação fez, e o que o time decidiu?
O agente escreveu a maior parte do código, auditou cada página e rascunhou a maior parte da documentação. O time decidiu quais números eram verdadeiros, sem quais páginas lançar, se um design competia com o conteúdo e qual serviço deveria vir primeiro.
O time consegue atualizar o site sem um desenvolvedor?
Sim. A Tuti pede uma mudança em português pelo navegador, o texto aparece em inglês num site de staging escondido dos buscadores e vai ao ar quando alguém aprova e a checagem automática passa.


