#2 - Por que criamos um Intelligence Squad (e o que isso tem a ver com finanças onchain)

Há alguns meses, assim que aterrissei em Nova York para uma série de reuniões com clientes e parceiros, um outdoor chamou a minha atenção. A mensagem era curta, mas poderosa: “Data smarter, not faster”. Fiquei pensando nela por vários dias porque, para mim, ela validava a direção que já vínhamos construindo na MOIC. Ela resumia perfeitamente o que vínhamos discutindo internamente: executar mais rápido já não basta se você não sabe para onde está indo, quais oportunidades realmente importam ou quem precisa ser influenciado para uma estratégia dar certo.
Durante anos, o mercado acreditou que vantagem competitiva significava ser o primeiro: o primeiro a lançar um produto, publicar um insight, reagir a uma mudança regulatória, comentar uma tendência, divulgar um relatório ou dominar uma narrativa antes de todo mundo. Velocidade era um recurso escasso e, justamente por isso, gerava diferenciação, mas a IA e a automação mudaram essa dinâmica.
A verdadeira vantagem competitiva já não é a velocidade em si, mas a capacidade de transformar dados em inteligência.
O verdadeiro significado de inteligência de marketing
Essa mudança nos levou a uma pergunta inevitável: o que marketing realmente significa num mercado tão complexo quanto o de finanças onchain?
A resposta começa por entender que, em finanças onchain, atenção sozinha não basta para gerar negócios. Diferentemente de muitos outros setores, lidamos com ciclos longos de vendas enterprise, exigências regulatórias, integrações complexas e um alto nível de confiança entre as contrapartes. Nesse ambiente, fechar um deal depende muito mais da qualidade dos relacionamentos e do entendimento do mercado do que da capacidade de gerar alcance.
É por isso que o papel do marketing também muda. O objetivo já não é simplesmente gerar demanda, mas criar as condições para que as oportunidades de negócio aconteçam; isso significa fortalecer o posicionamento, construir credibilidade, desenvolver relacionamentos estratégicos e apoiar as vendas com inteligência de mercado.
Nesse contexto, a inteligência de marketing deixa de ser uma função de apoio e se torna uma capacidade estratégica. Não para produzir mais dashboards ou acompanhar métricas de vaidade, mas para entender como um mercado realmente funciona. Quem influencia as decisões? Quais empresas estão acelerando? Quais narrativas estão ganhando força? Onde estão surgindo novas oportunidades? E quais sinais indicam uma mudança de mercado antes de ela ficar óbvia para todo mundo?
Responder a essas perguntas permite que os times de marketing e de business development passem da execução reativa para a tomada de decisão informada, concentrando os esforços nas contas, nos relacionamentos e nas oportunidades com maior potencial de gerar resultados.
O problema
Quando você fala com todo mundo, não fala com ninguém
Tomadores de decisão não compram de desconhecidos; as decisões mais importantes começam muito antes de entrar num CRM, em conversas entre clientes, investidores, reguladores, founders e parceiros, onde a influência se constrói, os comitês de compra tomam forma e os sinais que realmente importam aparecem primeiro.
O problema é que a maioria dos times de marketing e vendas opera com apenas uma fração dessa realidade. Eles veem os contatos que já conhecem, as contas que já estão no pipeline e as conversas que acontecem diretamente ao seu redor. O que eles não veem é a rede mais ampla que molda essas oportunidades: as apresentações que vão acontecer amanhã, as indicações de confiança entre executivos, as conversas informais em eventos do setor ou os relacionamentos que influenciam silenciosamente as decisões de compra enterprise antes que qualquer oportunidade fique visível.
Todo deal de alto valor é decidido dentro de uma rede que você não consegue ver por inteiro.
Os comitês se formam a portas fechadas, as indicações muitas vezes pesam mais do que o melhor pitch de vendas, e o caminho mais quente até o seu próximo cliente muitas vezes já existe, por meio de pessoas que o seu time não está acompanhando. Em outras palavras, marketing e vendas estão tomando decisões estratégicas olhando para apenas uma pequena fatia do mercado.

Na MOIC, acreditamos que o desafio não é a falta de dados. A maioria desses sinais já existe, e muitos deles estão disponíveis publicamente; o desafio é conectá-los para revelar padrões, relacionamentos e oportunidades que, de outra forma, continuariam invisíveis. Em vez de olhar só para as empresas, mapeamos os relacionamentos entre founders, executivos, investidores, parceiros, clientes, reguladores, comunidades e as narrativas que os conectam; é aí que a inteligência começa.
Em finanças onchain, autoridade não se constrói falando com todo mundo, mas entendendo quem influencia todos os outros. Quanto mais profundo o seu entendimento dessas redes, maior a sua capacidade de construir relacionamentos estratégicos, estabelecer credibilidade, priorizar as oportunidades certas e tomar melhores decisões de marketing e vendas antes que o resto do mercado chegue à mesma conclusão.
Construindo o Intelligence Squad
Foi nesse contexto que decidimos criar um Intelligence Squad na MOIC.
Já vínhamos usando IA em diferentes processos internos, mas percebemos que o maior potencial dela não estava na automação nem nos ganhos de produtividade. O valor real está em ampliar a nossa capacidade analítica, permitindo conectar milhares de sinais fragmentados, identificar padrões e transformá-los em vantagem competitiva.
Todos os dias, o mercado gera um volume enorme de sinais: movimentos de empresas, mudanças regulatórias, rodadas de captação, pesquisas, eventos, lançamentos de produtos, novas contratações, aquisições e novos produtos. Mas também há sinais muito mais sutis, como mudanças de narrativa, padrões de comunicação, relacionamentos entre executivos, conexões entre empresas, redes de influência emergentes, comportamento das lideranças, interações nas comunidades, movimentos dos concorrentes, posicionamento público e o timing por trás de todos esses acontecimentos.
Individualmente, esses sinais dizem muito pouco, e muitos deles estão disponíveis publicamente, mas o valor real deles está em conectá-los para revelar padrões, relacionamentos e oportunidades que, de outra forma, continuariam invisíveis.
Isso nos levou a uma pergunta simples: se a IA torna a execução barata, o que passa a ser caro?
A nossa conclusão foi que a inteligência se torna o recurso escasso. Não a informação, já que todo mundo tem acesso a ela, nem a execução, já que a IA continua reduzindo o seu custo; o que fica cada vez mais valioso é a capacidade de entender quais sinais importam, como se relacionam entre si e o que revelam antes que o resto do mercado chegue à mesma conclusão.
Essa profundidade de inteligência não se alcança simplesmente fazendo uma pergunta ao Claude, ao ChatGPT ou a qualquer outro modelo de IA. Ela exige uma infraestrutura desenhada para coletar, conectar, priorizar e interpretar sinais de mercado de forma contínua e em escala.
O nosso Intelligence Squad se apoia em três pilares centrais:
- Algoritmos proprietários, desenhados para mapear, conectar e priorizar sinais de mercado, transformando volumes enormes de informação em oportunidades relevantes.
- Inteligência proprietária, construída a partir dos dados, análises, aprendizados e padrões acumulados em centenas de projetos e refinada continuamente a cada nova interação.
- Inteligência humana especializada, responsável por interpretar esses sinais, validar hipóteses e transformar informação em direcionamento estratégico para marketing, vendas e business development.
A combinação desses três elementos deixa o sistema mais inteligente a cada iteração. Os algoritmos organizam os dados, a inteligência proprietária acumula contexto de mercado e a expertise do nosso time transforma esse conhecimento em decisões sob medida para cada negócio.
O resultado vai muito além da pesquisa de mercado tradicional ou do conteúdo gerado por IA; conseguimos responder a perguntas que normalmente exigiriam semanas de investigação: quais empresas têm o maior potencial, quais mercados estão acelerando, quem realmente influencia uma decisão, com quais executivos vale a pena construir relacionamento, quais narrativas estão ganhando força e onde vale a pena investir tempo e recursos antes que essas oportunidades fiquem óbvias para o resto do mercado.
Transformando inteligência em negócios
Como toda nova iniciativa, o verdadeiro impacto do nosso Intelligence Squad vai ficar mais claro nos próximos meses, à medida que continuamos validando os nossos modelos, refinando a nossa metodologia e ampliando as suas capacidades. O que vimos até agora, porém, reforça a nossa convicção de que a inteligência de mercado vai se tornar uma capacidade central para as empresas que atuam em finanças onchain.
Entender como os relacionamentos se formam, quem influencia as decisões e onde as oportunidades surgem permite que as empresas aloquem o seu tempo e os seus recursos com muito mais eficácia. Em vez de depender só da intuição, os times de marketing, vendas e business development conseguem priorizar as contas certas, engajar os stakeholders no momento certo e construir relacionamentos com muito mais chance de se converter em negócios de longo prazo.
A próxima pergunta óbvia é: como construir, na prática, um sistema de inteligência capaz de mapear relacionamentos, identificar oportunidades e apoiar decisões estratégicas em finanças onchain?
É exatamente isso que vamos abordar nas próximas edições, em que vamos mostrar os bastidores da infraestrutura que construímos, as fontes de dados que combinamos e a metodologia que transforma milhares de sinais de mercado em inteligência acionável.
Se você está construindo em finanças onchain e acredita que a inteligência de mercado pode se tornar uma vantagem competitiva para o seu negócio, vamos conversar. Vamos ter o maior prazer em mostrar como estamos aplicando essa abordagem para ajudar a sua empresa a construir relacionamentos estratégicos, identificar oportunidades e acelerar deals com dados.


